Pesquisar neste blogue

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Adeus



Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade


Dois acidentes, um morto e muita confusão

Manuel Azevedo

Acidente ocorreu na estrada que liga Picoto a S. Paio de Oleiros


Um homem de 31 anos morreu, ontem, ao fim da tarde, depois de se ter despistado na mota em que seguia, na estrada que liga Picoto a S. Paio de Oleiros, em Mozelos, Santa Maria da Feira. A vítima embateu numa viatura e acabou por perder o controlo do motociclo. O sinistro gerou, porém, um coro de protestos entre as dezenas de pessoas que acorreram ao local, alegadamente devido à demora no socorro.

Gerou-se, de facto, alguma confusão na articulação dos meios e consequente resposta. Os Bombeiros de Lourosa foram accionados, às 18.06 horas, pelo CODU para um acidente com duas vítimas na mesma estrada (próximo da Junta de Freguesia de Mozelos). De acordo com o INEM, este acidente envolveria um ligeiro e uma mota e dele teriam resultado dois feridos.

VMER "enganada"

Chegados ao local, os bombeiros foram alertados pela GNR de Lamas para a existência de um segundo acidente (próximo da corticeira Amorim), a cerca de dois quilómetros do primeiro. Também neste caso, envolvendo um ligeiro e um motociclo, mas desta feita com um ferido.

Depois de alertado, às 18.13 horas, o INEM enviou a VMER do Hospital de S. Sebastião. Dez minutos depois, a equipa médica "encontrou" o primeiro acidente, julgando tratar-se do caso para o qual teria sido accionada. Só passado algum tempo é que se apercebeu de que havia um outro sinistro, não muito longe daquele local, com consequências mais graves. O INEM terá chegado ao local cerca das 18.23 horas. Altura, precisamente, em que os Bombeiros de Lourosa receberam uma chamada de uma pessoa no local, manifestando indignação pela demora no socorro.

"Para piorar as coisas, houve um terceiro acidente no concelho à mesma hora", notou uma fonte dos bombeiros, que evitou relacionar o atraso no socorro com a morte do motociclista.

As tentativas dos bombeiros e da equipa médica da VMER para reanimar a vítima mortal prolongaram-se por 45 minutos, mas em nada resultaram. Foi declarado o óbito e o cadáver foi transportado para o Hospital de S. Sebastião. A vítima mortal era casada, residia em S. Paio de Oleiros e era natural de Paços de Brandão.PIC e SR

Aqui


INEM acciona socorro para acidente em local errado


ALFREDO TEIXEIRA

Assistência demorou 20 minutos. Homem, de 31 anos, morreu no local
Dois acidentes na mesma estrada, separados por dois quilómetros, e com as mesmas características levou ontem a que os Bombeiros Voluntários de Lourosa chegassem tarde ao socorro de um indivíduo que acabou por morrer. A população ficou revoltada com a demora da chegada da ambulância. Os bombeiros dizem não ter responsabilidade e acusam o INEM de ter "prestado uma informação errada". O INEM, por seu turno, afirma ter-se tratado de uma "infeliz coincidência", com dois acidentes com as mesmas características no mesmo local.

Os dois acidentes registaram-se à mesma hora, cerca das 18.00, na mesma estrada que liga Picoto a S. Paio de Oleiros, em Mozelos, Feira. Ambas as situações envolviam a colisão de uma moto com um automóvel. A via tem alguns quilómetros e do primeiro acidente, a que os bombeiros chegaram, resultaram apenas ferimentos ligeiros nos seus intervenientes. "Nós fomos para onde o CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) nos mandou", afirmou ao DN o comandante José Oliveira, dos Bombeiros de Lourosa. "Só fomos alertados que estávamos no sítio errado pela GNR de Santa Maria de Lamas", acrescentou.

Mais à frente, junto às instalações da Corticeira Amorim, estava o sinistro que tinha provocado um ferido grave, após a colisão da moto em que seguia com um veículo ligeiro. O socorro demorou mais de 20 minutos, após o alerta. Quando chegaram ao local, os bombeiros encontraram a vítima inconsciente. "Ainda tentamos a reanimação durante 45 minutos, mas sem resultado. Fizemos o possível, não temos culpa de nos terem dado informações incorrectas", salientou o comandante.

Pedro Coelho dos Santos, porta-voz do INEM, explicou ter-se tratado de "uma infeliz coincidência que gerou uma situação atípica, embora a assistência tenha sido prestada à vítima". A mesma fonte diz que o INEM foi alertado às 18.05, tendo recebido uma chamada dos bombeiros às 18.13 a dizer que o acidente tinha provocado apenas feridos ligeiros.

Nessa altura verificaram não se tratar do mesmo acidente. A vítima mais grave encontrava-se a dois quilómetros. É accionada uma viatura médica do Hospital da Feira que chega ao local às 18.23, minutos depois dos bombeiros, após passar pelo primeiro acidente. "Foi uma triste coincidência que nem os bombeiros se aperceberam", diz +Coelho dos Santos. A vítima é um homem de 31 anos, residente em Paços de Brandão.

Aqui


Estou revoltado com o acontecido!

Há quem não mereça ser feliz...

Mas há coisas que nos dão a volta!

A falta de coordenação dos serviços de urgência é inadmissivel
e estão a dar cabo da vida de muitos de nós.

Se o auxilio fosse prestado a tempo e horas,
podia não ter acontecido o que aconteceu...

Aconteceu, e apenas temos k nos revoltar com o sucedido,
para a próxima vez não acontecer...

Estamos num país que é um puro "deixa andar",
depois das coisas acontecerem é que tratamos de as resolver...

Não pode ser assim.

Temos que antecipar os acontecimentos.

Temos que lutar por melhores condições!

estou revoltado com o mundo!

a vida é ingrata...

Morte ... despedida de alguém ...



Morte

Espero que me ouças ainda amor,
ficou tanto por dizer, a Senhora Morte te levou
e as palavras ficaram presas na garganta que ainda dói...
Letras... qual espadas,
por entre as labaredas deste inverno
pelas longas noites animadas
que nos tornaram guardiões do inferno.
E dói assim não ter-te a aquecer-me
e ver que se detêm as palavras que nunca foram ditas,
e esta vontade louca de as dizer
sufoca-me as palavras interditas.
Olhos meus que fitam os teus,
que transformam o mar de amarguras,
o espaço descrito nos céus
paixões lindas e puras,
pudera eu ter-te só uma noite e dizer-te as palavras que não disse,
quisera eu que a Morte te trouxesse para reter-me nas sombras do meu olhar,
e se te olhasse uma última vez
quisera nas tuas lágrimas afogar as mágoas que ainda sinto!
Chora... traz-me o teu pranto
abraça a minha tristeza
assim como me envolves em teu manto
na loucura da tua beleza,
e sinto-te imortal nesta lembrança,
a morte nunca levará o que te guardo em mim,
e resta-me adormecer a vida com a esperança viva
de que a morte nunca será um fim!
Eterno sentimento que nos eleva
entre paisagens que nos contornam
é tudo o que daqui se leva
a lembrança daqueles que por nós tombam.

by Margarete

---
t

Saudade

Afinal a vida não passa de uma saudade sempre igual e sem sentido,
uma saudade eternamente certa,
infinitivamente concreta,
sinceramente indefinida,
fatalmente saudade.

Saudade,
o sentimento descontente que se perde em divagações penosas e plangentes,
a longitude de um adeus que se ganha em cada abraço que não volta...

Saudade,
a quimera degradante que se inventa em cada luar de Primavera,
um penar ultrajante que se sente quando o amor se acaba...

Saudade,
um fingimento incoêrente que se desenha em cada lágrima de dor,
uma felicidade aparente que se esvai em cada espera sem revolta...

(parte de um poema)
---



A terra é feita de céu.
A mentira não tem ninho.
Nunca ninguém se perdeu.
Tudo é verdade e caminho.

A morte é a curva da estrada,
morrer é só não ser visto.
Se escuto, eu te oiço a passada
Existir como eu existo.

By busybee

errante



"errante"
(parte do poema)

Errando por avenidas infinitas e desertas,
Espaço e silêncio são as recompensas da noite,
A luzes de uma cidade molhada enchem o espelho.
O pântano da rotina urbana fica para trás.
Sonho com pomares forrando a estepe,
Buscando um caminho, ignorando qualquer destino,
Descubro-me a olhar muito para além do rio.
Perdido na memória do teu sorriso incerto,
Quando finalmente paro, estou junto ao oceano.
Um velho amigo, escuta-me os pensamentos,
Sussurrando uma brisa frígida e intransigente...

M.Daedalus

----


Assim me encontro,
errante pela vida...
Mais uma tragéda,
Mais uma vida perdida,
Mais uma vida levada,
mais um bocado de mim,
que se vai...


:( Estou de luto...

Nota Importante

Nota: Este é um site pessoal, onde reúno tudo que aprecio e recolho da NET em termos de poesia, literatura, imagens e afins. Também coloco textos pessoais, ou de amigos. Não quero violar nenhum direito autoral, mas caso alguém se sinta "prejudicado" ou "violado" por eu gostar de seu trabalho, por favor, entre em contato clicando Aqui que retiro imediatamente. Poetheart